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UM ESTUDO REALMENTE PROVOU QUE CHICO XAVIER SE COMUNICAVA COM OS MORTOS

Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos?

12/01/2015 - 10H01 - POR CARLOS ORSI

Vários leitores têm perguntado, nas redes sociais, minha opinião sobre o estudo, publicado por cientistas brasileiros no periódico internacional Explore, que “comprovaria” comunicação com os mortos em cartas de Chico Xavier. Eu já havia visto comentários a respeito, e entrevistas com pelo menos um de seus autores, mas só recentemente consegui tempo para ler, com atenção, o artigo em si. Uma análise detalhada daria margem a um texto até maior que o que saiu na Explore, com suas nove páginas em coluna dupla, então o que vai aqui é um resumo bem superficial de minhas impressões.
A primeira coisa a tratar é a questão da publicação: para um cientista, ver um trabalho sair num periódico internacional especializado é um emblema de prestígio. Publicações assim também conferem ao estudo uma aura de respeitabilidade que a grande mídia tende a levar bem a sério – tanto que o artigo sobre Chico Xavier foi noticiado em veículos como O Globo.
Mas, se é verdade que a Elsevier , dona do Explore, é uma editora de prestígio no meio científico, suas publicações não têm, todas, a mesma qualidade ou importância. OExplore se apresenta como um periódico da área de saúde, mas seu fator de impacto – uma medida da relevância que a comunidade científica dá à revista – é de 0,935. A principal publicação de saúde da mesma Elsevier, a Lancet, tem um fator de impacto de 39,207.
Com o título “Investigating the Fit and Accuracy of Alleged Mediumistic Writing: A Case Study of Chico Xavier’s Letters” (Investigando o Acerto e Precisão de Suposta Escrita Mediúnica: Um Estudo de Caso de Cartas de Chico Xavier), o artigo tem, como principais autores, integrantes do NUPES (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, a UFJF. Envolve, ainda, cientistas baseados na USP e, até, na Escócia. O estudo foi financiado pelo governo do Estado de São Paulo, por meio da Fapesp.
O trabalho consiste na análise de afirmações tidas como verificáveis – isto é, que podem ser classificadas, sem ambiguidade, como verdadeiras ou falsas – contidas em 13 cartas psicografadas por Chico Xavier entre 1974 e 1979, e atribuídas ao espírito de J.P., um jovem de 24 anos que havia morrido no início de 1974 na região de Campinas (SP).
O eixo central do estudo é a aplicação, a essas afirmações, de algo chamado Escala Leak (“Vazamento”, em inglês), usada para classificar a probabilidade de o médium ter tido acesso à informação apresentada por meios “ordinários”. O argumento é que uma nota baixa nessa escala permite concluir que meios diversos – extraordinários? – devem ser considerados.
À primeira vista, até faz sentido: daria para imaginar que, se a chance de uma informação chegar ao médium por meio comum é muito baixa, a probabilidade alternativa – de transmissão extraordinária – é alta. Afinal, as duas alternativas esgotam o universo de possibilidades: a soma de ambas tem de ser 100%.
Mas há um problema filosófico sério escondido aí: extraordinário quer dizer o quê, exatamente? Os autores insistem que o conteúdo das cartas depõe contra “visões reducionistas da relação mente-cérebro”, o que pode querer dizer que esse conteúdo sustenta qualquer coisa entre telepatia e a existência de uma alma imortal que conversa com o médium. Os pesquisadores não dizem para qual possibilidade estão torcendo, mas a hagiografia de Chico Xavier contida no artigo dá uma boa pista. Mas será que essa família de explicações é mesmo a única possível?
A questão é que o tal “método extraordinário” não precisa ser um “método paranormal”. Pode ser, simplesmente, um método natural-materialista-reducionista que escapou da definição arbitrária de “normalidade” dos autores – definição que é, de fato, estreita demais, e que exclui possibilidades “extraordinárias” que são, paradoxalmente, bem ordinárias. Como veremos na próxima segunda-feira, na continuação deste artigo.

Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos? (parte II)

19/01/2015 - 09H01 - POR CARLOS ORSI
Na semana passada, concluí a primeira parte de minha análise do artigo científico “Investigating the Fit and Accuracy of Alleged Mediumistic Writing: A Case Study of Chico Xavier’s Letters” (Investigando o Acerto e Precisão de Suposta Escrita Mediúnica: Um Estudo de Caso de Cartas de Chico Xavier) apontando o que me parece uma falha grave do trabalho.
Recapitulando: a pesquisa, realizada por cientistas brasileiros com verba da Fapesp, tenta estabelecer que a probabilidade de Xavier ter tido acesso, via meios “normais”, a certas informações contidas em 13 cartas, atribuídas ao espírito de J.P., um jovem de Campinas (SP) morto em 1974, é tão pequena que a probabilidade de o acesso ter ocorrido por outro meio – extraordinário, talvez paranormal – torna-se relevante.
O problema que apontei é que o conceito de “extraordinário” adotado pelos autores é curiosamente arbitrário. Eles consideram, por exemplo, extremamente improvável que Chico Xavier, em Uberaba (MG), tivesse acesso a jornais da cidade de Campinas, durante a década de 70. Para esses pesquisadores, suponho, o acesso seria algo extraordinário. No entanto, para a linha de raciocínio do artigo fazer sentido, isso teria de ser ainda mais extraordinário do que um morto ditar cartas. O que é uma opinião, para dizer o mínimo, controversa. Há mais de 100 anos, a psicóloga americana Amy Tanner já ensinava, em seu clássico “Estudos do Espiritismo”, que não é correto pressupor que a comunicação com os mortos seja uma explicação em pé de igualdade com as demais: antes de levá-la em conta é preciso, primeiro, descartar todas as vias alternativas normais.
Mas, ponhamos essas chateações filosóficas de lado. A probabilidade de a informação ter sido transmitida por meios usuais foi classificada, no artigo, segundo uma certa Escala Leak (“Vazamento”, em inglês), com cinco graus, de 0 a 4. Cada grau corresponde a uma classe conceitual, em linhas gerais dependente do nível de contato entre a pessoa que poderia ter a informação e o médium, ou um de seus assistentes.
Já a veracidade (ou não) das informações extraídas das cartas foi auferida por meio de entrevistas com parentes e amigos de J.P., realizadas quase 40 anos depois dos eventos. Essas mesmas entrevistas foram usadas para definir os valores atribuídos a cada dado, dentro da Escala Leak.
Os autores reconhecem a fragilidade das entrevistas. Escrevem: “Pesquisas sobre a memória indicam que a lembrança que uma pessoa tem de um evento pode ser alterada por informações posteriores ao evento ou por influência do grupo (...) não podemos descartar a hipótese de que o desejo dos participantes de que as cartas fossem genuínas (...) possa tê-los levado a distorcer suas memórias”.
A Escala Leak é construída sobre o pressuposto de que as informações corretas, presentes nas cartas, só poderiam ter chegado “naturalmente” ao médium ou por ser de conhecimento geral – algo que deu na televisão, por exemplo – ou por meio de comunicação explícita da família, falando diretamente com Chico Xavier ou com um de seus assistentes devidamente identificados. O que é ingênuo, para dizer o mínimo.
Para ficar só num exemplo, a ideia de que os familiares de J.P. poderiam ter sido ouvidos conversando entre si enquanto esperavam ser atendidos, ou de que o médium pudesse ter gente “plantada” entre as centenas de consulentes aguardando a vez, para puxar conversa com eles e extrair informações úteis, não parece ter ocorrido a ninguém. Chico Xavier se valia desses expedientes, verdadeiros clássicos no repertório do mentalismo, do curandeirismo e da mediunidade? Não sei, mas trata-se de uma possibilidade de “vazamento” – apenas uma, entre várias outras – que não foi levada em conta pelos autores.
Os pesquisadores, embora afirmem o contrário, também são extremamente generosos na aplicação da escala. Eles consideram que informações como “eles me chamaram”, “eles me massagearam”, “eles me fizeram respirar”, referentes às circunstâncias da morte de J.P., tinham uma probabilidade extremamente baixa de terem sido obtidas naturalmente pelo médium. Mas a verdade é que são ilações lógicas, vindas de uma única peça de informação real, que poderia muito bem ter sido entreouvida na sala de espera: a de que o jovem morreu afogado, enquanto nadava com amigos.
A conclusão, a esta altura, deve ser óbvia: o artigo não só falha em estabelecer o que parte da mídia diz que estabelece – a realidade da comunicação de Chico Xavier com os mortos – como ainda é fraco demais, até mesmo, para cumprir a tarefa mais modesta que lhe foi dada pelos próprios autores: a de enfraquecer a tese científica dominante de que a mente não passa de uma função do cérebro.
Fonte:http://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2015/01/

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